Sobre sonhos e expectativas

 Sempre tive o sonho de viajar o mundo. Conhecer novas culturas e pessoas. Descobrir o que mais tem lá fora, lá longe. E estar lá, sentir, viver. E esse desejo foi crescendo e ficando cada vez  mais forte. Até que chegou um momento que aquela vozinha interior que eu escutava já tinha se transformado num grito. Um grito de liberdade talvez. Eu sabia que quanto mais conectada eu estivesse comigo mesma e com tudo aquilo que eu acredito mais tudo faria sentido.

É verdade que eu me preparei. Não foi assim, do dia para a noite que eu decidi ir e largar tudo. Foram anos cultivando esse sonho, trabalhando bastante e economizando para isso.

Quando disse lá em casa que queria passar um tempo fora, viajando para vários países, tive o apoio da minha família. Principalmente do meu pai, que me disse que eu voltaria muito rica dessa viagem. Eu sei o que ele quis dizer, meu pai me entende como ninguém. Meus tios também, principalmente meu padrinho e minha tia que já viajaram muito de moto pela América do Sul e sabem na pele o que é viver uma grande aventura e o gosto que isso tem. Eles me inspiraram muito com as histórias que contavam quando eu era criança ainda.

De qualquer forma, tomar essa decisão não foi fácil. Eu tinha um trabalho que eu adorava e tínhamos acabado de comprar nosso apartamento, a vida ia bem. Mas essa viagem não era o que eu sempre sonhei? Era. Então por que não foi fácil?! Por causa de algo que pode ser traduzido em uma palavra: expectativa.

Fui ver o significado de expectativa no  dicionário e o Michaelis me disse que expectativa é a situação de quem espera uma probabilidade ou uma realização em tempo anunciado ou conhecido, ou que é a possibilidade de alguém obter vantagens ainda não definidas.

Resumindo: a culpa da minha ansiedade era das minhas expectativas todas. Ou seja, do roteiro que eu estava tentando desenhar para a minha viagem querendo prever ou contar com coisas que ainda nem tinham acontecido. As expectativas são construídas em cima de algo que não é acabado, são probabilidades, achismos. Por exemplo: Expectativa de vida, expectativa do cenário econômico, expectativa da safra, etc. Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer e é esse o ponto.

Vivemos uma vida inflada de expectativas – com nós mesmos, com os outros e com o mundo. Tentamos racionalizar tudo e prever o que vai acontecer ao invés de simplesmente vivermos e permitirmos que a vida flua e nos surpreenda.

Expectativa no entanto, é diferente de esperança. A esperança nos motiva e nos dá entusiasmo para realizarmos aquilo que desejamos com flexibilidade, com o coração aberto para o que o universo nos reserva e sem garantias de nada. Já as expetativas nos frustram, geram ansiedade e a ilusão de que temos o controle das coisas, enquanto não temos o controle de nada nem de ninguém.

Entendendo isso só depois de partir, agora já na Tailândia, me sinto mais preparada para seguir em frente ao lado da Nany. Com muita esperança de que seja um caminho lindo e confiança na nossa capacidade de superar os obstáculos mas sem expectativas de como vai ser.

Vem mundo, me abraça que eu to pronta.

 

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Author: Aline Presa

Jornalista, filmmaker e fotógrafa. Minha paz encontro na natureza, minha paixão em viagens, culturas e lugares e minha inspiração nas histórias das pessoas.

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